
A infraestrutura urbana de alto padrão precisa refletir e dialogar continuamente com as transformações demográficas do país e região. Segundo dados oficiais do último Censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil contabiliza 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que representa 1,2% da população.
Em Santa Catarina, o número ultrapassa 91,6 mil catarinenses dentro do espectro. Trata-se de um contingente populacional expressivo que demanda espaços adaptados e seguros.
Para atender a essa nova realidade demográfica, a Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú aprovou, em 16 de setembro de 2026, o Projeto de Lei Ordinária nº 27/2026. A medida institui o Programa Municipal de Jardins Neurossensoriais, visando adaptar praças, parques e escolas para pessoas com TEA, deficiências sensoriais e mobilidade reduzida, posicionando a cidade na vanguarda do acolhimento e da qualidade de vida.
Aprovado com 12 votos favoráveis, o projeto de autoria do vereador Kaká Fernandes (PL) propõe a implementação de ambientes planejados para estimular de forma controlada os cinco sentidos: tato, olfato, visão, audição e paladar. O objetivo é converter áreas verdes e complexos educacionais em uma infraestrutura focada na acessibilidade universal.
Para garantir segurança jurídica às obras e aos investidores, a legislação condiciona a execução dos projetos às diretrizes técnicas da ABNT NBR 9050. O programa aguarda sanção do Executivo municipal e organiza as intervenções da seguinte forma:
| FRENTE DE INTERVENÇÃO | DIRETRIZES TÉCNICAS E AMBIENTAIS | IMPACTO ESPERADO |
|---|---|---|
| Praças e Parques Públicos | Implementação de pisos táteis, rotas acessíveis e contrastes de cores visuais. | Autonomia, convivência comunitária segura e redução de sobrecarga sensorial urbana. |
| Rede Municipal de Ensino | Integração de plantas com diferentes folhagens, texturas e estímulos sonoros. | Ferramentas pedagógicas ao ar livre para integração e regulação emocional contínua. |
| Parcerias Privadas (PPPs) | Adoção de espaços mediante o cumprimento de regras de acessibilidade do município. | Viabilização financeira via integração do setor privado (empresas e entidades) ao urbanismo. |
A neuroarquitetura urbana já é um padrão de qualidade nas cidades mais desenvolvidas do mundo. O contato direto e planejado com a natureza atua na regulação do sistema nervoso, oferecendo zonas seguras de descompressão para famílias atípicas.
A efetividade dessa infraestrutura possui validação acadêmica e internacional contundente:

No mercado premium, o imóvel é avaliado muito além do espaço privativo. É um ativo de liquidez e proteção familiar. Uma leitura de território precisa mostra que cidades capazes de integrar infraestrutura de ponta à inclusão social atraem um público qualificado.
Famílias de alto poder aquisitivo que possuem membros neurodivergentes priorizam categoricamente locais que ofereçam segurança, inclusão e bem-estar. Em uma geografia marcada pelaescassez territorialcomo a de Balneário Camboriú, a qualificação qualitativa do metro quadrado público reverbera diretamente no metro quadrado privado.
Imóveis vizinhos ou conectados por rotas acessíveis a esses futuros parques tendem a apresentar maior procura e rentabilidade. A aprovação desse projeto reforça o potencial construtivo da cidade, evidenciando que seu desenvolvimento caminha para uma sofisticação de padrão internacional.
É aqui que entra a inteligência de escolha: investir em polos urbanos que antecipam demandas demográficas reais garante solidez e valorização patrimonial de longo prazo.
De acordo com os últimos dados do IBGE, o Brasil possui 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA (1,2% da população), sendo mais de 91 mil delas residentes no estado de Santa Catarina.
São intervenções em praças, parques e escolas que utilizam elementos arquitetônicos, botânicos e táteis para estimular os sentidos de forma terapêutica e controlada, focando no bem-estar de pessoas com TEA e mobilidade reduzida.
Não. O Projeto de Lei nº 27/2026f oi aprovado pela Câmara de Vereadores em 16 de setembro de 2026 e atualmente aguarda a sanção da prefeita para estabelecer seus prazos de execução.
Sim. A legislação prevê que a iniciativa privada assuma a construção e manutenção desses espaços por meio de modelos de parceria, exigindo rigoroso respeito às normas técnicas de acessibilidade.
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