Com o metro quadrado aR$ 15.369— segundo mais caro do Brasil no índice FipeZap de setembro de 2026 —, Balneário Camboriú começa a migrar de um mercado de valorização por escassez para um mercado de valorização por desempenho comprovado.
A pergunta que chega à mesa do investidor mudou. Não é mais "onde fica o endereço mais caro", mas "o que sustenta esse preço nos próximos dez anos".
E a resposta, cada vez mais, passa por engenharia documentada, auditoria independente e desempenho ambiental verificável — não por renderização.
Neste cenário, os certificadosLEED,WELL,AQUA-HQEeEDGEdeixam de ser argumento de marketing e passam a operar como filtro de risco em um território que concentra densidade construtiva sem precedentes no país.
Três movimentos simultâneos explicam a mudança de patamar.
O primeiro é de preço e liquidez.Balneário Camboriú fechou setembro de 2026 com preço médio deR$ 15.369/m², atrás apenas de Vitória (R$ 15.905/m²) e à frente de Itapema (R$ 15.340/m²), segundo oInforme FipeZap.
Em 2025, a cidade registrou1.081 unidades vendidaseVGV de R$ 3 bilhões— alta de 42% em valor e 70% em volume sobre 2023, conforme dados da plataforma DWV. O valor médio do imóvel vendido chegou a R$ 2,191 milhões.
O segundo é de escassez territorial.A cidade lançou 3.239 unidades em 2025, contra 5.829 em Itajaí e 12.623 em Itapema, segundo o mesmo levantamento.
Não é retração de demanda: é limite físico de terreno. A oferta disponível nas pautas das incorporadoras gira em torno de1.690 imóveis.
O terceiro é de regulação urbana.ALei Complementar nº 132, de 15 de junho de 2026, atualizou pela primeira vez desde 2008 a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo do município.
A norma redistribui alturas, índices construtivos e usos, amplia a outorga onerosa de potencial construtivo e autoriza empreendimentos de120 a 150 metrosem corredores de bairro — cerca de 30 a 40 pavimentos.
Em julho, aLei Complementar nº 135ajustou os parâmetros das Zonas de Ambiente Construído Consolidado I (ZAC I-A, I-B e I-C).
A leitura estratégica: a cidade deixou de crescer apenas na orla. Está reorganizando o próprio território — e quem compra hoje está comprando dentro de uma regra nova.
Porque densidade sem infraestrutura é passivo, não ativo.
Balneário Camboriú opera com uma população flutuante que multiplica sua população residente na alta temporada. Cada nova torre adiciona carga sobre saneamento, drenagem, mobilidade e energia.
É exatamente nesse ponto que a agenda ESG deixa de ser discurso corporativo e se torna infraestrutura de mercado.
O setor já reconhece isso formalmente. Segundo o Estudo da Construção Civil 2026,91% das empresas do setorpossuem indicadores estruturados nos três pilares ESG.
Omapeamento de práticas ESG da CBICregistrou 75 práticas inscritas por empresas de diferentes portes e regiões, com 20 destacadas por mérito técnico. O gargalo apontado pelos próprios estudos é a transição energética — justamente onde as certificações atuam.
No nível municipal, a resposta tem sido obra física. A Emasa inaugurou em setembro de 2026 a nova Estação Preliminar de Esgoto da ETE Nova Esperança e solicitou ao Novo PAC a readequação do projeto da nova ETE, com investimento atualizado emR$ 189,1 milhões.
Em agosto, foi lançada a licitação do Parque Inundável Multiuso na Bacia do Rio Camboriú.
Nenhuma dessas obras é rápida. E é justamente por isso que o desempenho individual de cada edifício passa a importar: quando a infraestrutura urbana ainda está em execução, o que o prédio economiza ou deixa de consumir deixa de ser detalhe técnico e vira margem de segurança.
Estão transformando sustentabilidade em especificação de projeto — não em campanha.
O caso mais documentado é oElbrus, daCechinel, na Rua 3300, no Centro. Com 45 pavimentos e previsão de entrega em dezembro de 2027, o empreendimento recebeu pré-certificaçãoLEED Platinum, anunciado como o primeiro residencial do Brasil nessa condição.
Não é selo de marketing: pré-certificação exige registro formal, documentação técnica e revisão por terceira parte.
OSenna Tower, daFG Empreendimentos, com 550 metros e 228 unidades, está posicionado para ser o primeiro residencial supertall do mundo com certificação LEED Platinum. O investimento estimado é deR$ 3 bilhões.
E oPZ Ecomall, em Balneário Camboriú, conquistou o seloLEED v4.1na modalidade O+M (Operação e Manutenção) — certificação de edifício em uso, mais difícil de obter que a de projeto.
A diferença entre elas é de método, não de hierarquia. O LEED soma pontos. O WELL mede o corpo de quem ocupa.
| Certificação | Origem / operador no Brasil | O que avalia | Como classifica | Verificação |
|---|---|---|---|---|
| LEED | USGBC (1993); GBC Brasil e GBCI no país | 9 categorias: energia, água, localização, materiais, qualidade ambiental interna | Certified (40–49), Silver (50–59), Gold (60–79), Platinum (80+) | Revisão documental à distância |
| WELL | IWBI (2014) | 10 conceitos ligados à saúde: ar, água, luz, conforto térmico, acústica, mente | Bronze (40), Silver (50), Gold (60), Platinum (80) | Testes presenciais no edifício |
| AQUA-HQE | Fundação Vanzolini, adaptação brasileira da HQE francesa (2008) | Gestão do empreendimento (SGE) + desempenho por categoria (QAE) | Perfil por categoria: Bom, Superior, Excelente | Três auditorias presenciais |
| EDGE | IFC / Banco Mundial | Economia percentual em energia, água e materiais frente a edifício de referência | Três níveis por percentual mínimo | Auditoria em duas etapas |
A AQUA-HQE exige que a incorporadora prove que tinha um processo — e não apenas um projeto bonito. A EDGE trabalha com redução percentual verificável, o que a torna especialmente útil para comparação objetiva entre ativos.
Impacta em quatro frentes concretas.
Primeira: custo operacional vira dado de valuation.As médias dos empreendimentos certificados pelo GBC Brasil apontam reduções da ordem de31% no consumo de energia,47% no consumo de águae cerca de94% de desvio de resíduos de aterro.
Em um prédio de alto padrão com lazer completo, piscinas e climatização permanente, essa diferença entra direto no condomínio — e condomínio é custo recorrente que o comprador sofisticado desconta no preço.
Segunda: liquidez de revenda.Pesquisa da DataStore realizada em Itajaí, Balneário Camboriú e Camboriú aponta quemais de 60% dos compradoresda região já associam certificações ambientais à valorização patrimonial e à segurança do investimento.
Quando o comprador final passa a usar o selo como filtro, o ativo sem selo não perde valor — perde velocidade de venda. Em um mercado com 1.690 unidades disponíveis, velocidade é tudo.
Terceira: segurança jurídica e regulatória.A LC 132/2026 introduziu análise de risco climático e critérios ambientais no ordenamento.
Empreendimentos que já nascem com documentação de desempenho ambiental têm menos exposição a exigências futuras de retrofit — que, em torres de 40 pavimentos, são economicamente inviáveis.
Quarta: diferenciação em um mercado de oferta homogênea.Quando todos os lançamentos oferecem vista mar, lazer de resort e assinatura de grife, o selo auditado é um dos poucos atributos que não pode ser copiado por concorrência de preço.
Aqui está o ponto em que a transparência importa mais que o entusiasmo.
Nem todo "conceito wellness" ou "arquitetura biofílica" significa certificação. LEED e WELL exigem registro formal, documentação técnica e auditoria por organizações reconhecidas — USGBC/GBCI e IWBI.
Há três status distintos, e a diferença entre eles é grande:
Pré-certificação:o projeto passou pela revisão de projeto, mas o edifício ainda não existe.
Registro / em processo:a incorporadora iniciou o processo, sem garantia de nível.
Certificação emitida:o edifício foi auditado e recebeu o selo. É o único status que comprova desempenho real.
Vale perguntar, sempre: qual o nível pretendido, qual o status atual, quem é o assessor credenciado e se há cláusula contratual vinculando a entrega ao selo.
O LEED avalia o desempenho ambiental do edifício — energia, água, materiais, localização. O WELL avalia o impacto na saúde de quem ocupa: qualidade do ar, iluminação, acústica, conforto térmico. São complementares, e os lançamentos de alto padrão em BC têm buscado os dois simultaneamente.
Não existe índice público que isole o prêmio de preço por certificação em Balneário Camboriú. O que os dados sustentam é que mais de 60% dos compradores da região associam o selo à segurança do investimento (DataStore) — o que se traduz em liquidez, não necessariamente em ágio imediato.
Não é questão de melhor. A AQUA-HQE é adaptada às normas e ao clima brasileiros, exige três auditorias presenciais e pesa mais em conforto e saúde. O LEED tem reconhecimento internacional e revisão documental à distância. A escolha depende do perfil do empreendimento e do público comprador.
Sistema do IFC/Banco Mundial que mede economia percentual em energia, água e materiais frente a um edifício de referência. É a mais objetiva para comparação entre ativos, porque trabalha com redução verificável — não com pontuação.
R$ 15.369/m²em setembro de 2026, segundo o índice FipeZap — segundo maior do Brasil, atrás de Vitória (R$ 15.905/m²) e à frente de Itapema (R$ 15.340/m²).
A sustentabilidade deixou de ser um capítulo de marketing e passou a integrar a análise de risco do ativo.
Em um território onde o preço do metro quadrado já embute expectativa de futuro, o que diferencia dois imóveis de mesma metragem e mesma vista é a capacidade de provar — com documento e auditoria — que aquele edifício vai custar menos para operar, resistir melhor a exigências regulatórias e encontrar comprador mais rápido na revenda.
NaPraia Brava, onde o plano de revitalização deR$ 120 milhõesoficializado pela Prefeitura de Itajaí em março de 2026 sinaliza que a valorização passou de mercado para urbano, a lógica é a mesma: infraestrutura eleva o patamar mínimo exigido de cada projeto.
Quem entrega apenas densidade compete por preço. Quem entrega desempenho comprovado compete por liquidez.
A decisão de compra em Balneário Camboriú e no litoral norte catarinense, em 2026, exige leitura de território e leitura de ficha técnica.
É nesse cruzamento — entre o que a cidade está virando e o que o edifício efetivamente entrega — que a curadoria da TONADRI Adriana Amorim atua: identificar o ativo que sustenta o preço que já está sendo cobrado.
Conteúdo elaborado pela TONADRI Adriana Amorim, com atuação no mercado imobiliário de alto padrão em Balneário Camboriú e Praia Brava, com base em Índice FipeZap (set/2026), Lei Complementar nº 132/2026 e nº 135/2026 de Balneário Camboriú, GBC Brasil, Fundação Vanzolini, dados DWV/DataStore e comunicados oficiais da Prefeitura de Balneário Camboriú e Emasa.
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FALAR COM A TONADRI PELO WHATSAPPTONADRI · (47) 99936-0016 · Avenida Brasil, 999, Sala 04, Centro, Balneário Camboriú
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Fontes:FipeZap, Informe de setembro/2026·NSC Total, m² de BC volta a subir, 02/10/2026·ND Mais, BC mantém liderança, 10/02/2026·Exame, vendas somam R$ 13,4 bi em 2025·LC nº 132/2026 de BC (LPUOS)·LC nº 135/2026 de BC·Gazeta do Povo, arranha-céus da orla para os bairros, 14/06/2026·Plaza Imóveis, selos LEED e WELL em BC, 03/07/2026·GBC Brasil, Relatório de Atividades 2025·GBC Brasil, empreendimentos LEED·GBC Brasil, ESG na construção civil·Sinduscon-MG, ESG na construção civil·Direcional, sustentabilidade na construção civil·UGREEN, certificação AQUA-HQE, 24/09/2026·Fundação Vanzolini, Referencial AQUA-HQE Residenciais v. 2024·Fundação Vanzolini, regra de transição 2024·Senna, lançamento da Senna Tower, 04/09/2024·Revista Sucesso SA, Senna Tower, 16/09/2024·Grando Imóveis, Cechinel e Elbrus Residence·Hallo Magazine, PZ Ecomall recebe certificação LEED·Prefeitura de BC, Emasa solicita readequação da ETE no Novo PAC, 25/06/2026·Emasa, inauguração da Estação Preliminar de Esgoto, 17/09/2026·CBIC, mapeamento de práticas ESG, 2025·ESG Inside, setor consolida indicadores ESG, 21/09/2026. Consultas em 06/11/2026.
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