
Vista, localização, metragem, padrão construtivo e posição solar costumam ocupar boa parte da análise de quem procura um imóvel em Balneário Camboriú ou na Praia Brava. Mas existe outro fator que merece entrar nessa conta: o que está sendo investido na infraestrutura ao redor desse imóvel.
Em 2026, Balneário Camboriú concentra obras relevantes em reurbanização da orla, macrodrenagem, saneamento e mobilidade. Na Praia Brava, em Itajaí, o ano marcou a apresentação de um plano de R$ 120,23 milhões para a transformação da região nos próximos anos.
São movimentos em estágios diferentes. Enquanto algumas intervenções já estão fisicamente em execução ou foram entregues, outras ainda passam por projetos, licenciamento e preparação. Para quem pensa em comprar um imóvel, entender essa diferença é tão importante quanto conhecer o projeto do empreendimento.
A reurbanização da Praia Central é uma das intervenções urbanas mais visíveis da cidade em 2026.
Na etapa Barra Sul, entre a Rua 3920 e o molhe, o contrato principal da obra soma R$ 31.098.488,88. A instalação elétrica possui contrato separado de R$ 3.736.213, segundo a Prefeitura de Balneário Camboriú.
Em janeiro de 2026, também foi assinada a ordem de serviço específica para o paisagismo dessa etapa, com investimento superior a R$ 3 milhões.
Não se trata apenas de trocar o piso do calçadão. O projeto contempla infraestrutura de água, esgoto, drenagem, energia e telecomunicações, muro de proteção costeira, novas áreas para pedestres, micromobilidade, corrida, arborização e equipamentos de uso público. Em fevereiro, a Prefeitura informou que somente no trecho da Barra Sul estavam previstas mais de 500 árvores, mais de mil arbustos e aproximadamente 6 mil m² de forração vegetal.
É uma transformação que interfere diretamente na experiência urbana da região: como se caminha pela orla, como se acessa a praia, a quantidade de sombra disponível, a organização dos diferentes modais e a infraestrutura que ficará instalada sob o espaço público.
Para quem observa imóveis na Barra Sul e na Praia Central, portanto, vale acompanhar a obra por trecho e pelo que efetivamente já foi executado, e não apenas pela imagem final do projeto.
Enquanto a nova orla muda aquilo que se vê, a macrodrenagem trabalha principalmente abaixo do solo.
O projeto das etapas Norte e Sul da Praia Central representa investimento da ordem de R$ 53 milhões, segundo a Prefeitura, e foi concebido para ampliar a capacidade de escoamento das águas pluviais, reduzir riscos de alagamentos e proteger tanto a faixa de areia quanto a futura estrutura da orla.
A etapa Norte foi retomada em 23 de fevereiro de 2026, após a pausa da temporada. Ela prevê aproximadamente 2,4 quilômetros de galerias subterrâneas e 5.290 aduelas de concreto, conectando a região da Rua 2000 ao Canal do Marambaia. A execução também exigiu intervenções no Pontal Norte para fazer a ligação do sistema ao canal.
Já a etapa Sul avançou administrativamente em 2026. A concorrência publicada em julho para sua execução apresentou valor estimado de R$ 11.873.231,43.
Para quem compra um imóvel, obras de drenagem normalmente aparecem menos nas fotografias de venda do que parques e calçadões. Ainda assim, são parte fundamental da capacidade de uma cidade densa continuar funcionando à medida que cresce.
Outro investimento importante de 2026 aconteceu longe da orla, mas atende a infraestrutura sanitária da cidade.
Em 17 de setembro, a Emasa inaugurou a nova Estação Preliminar de Esgoto da ETE Nova Esperança. Foram investidos R$ 41.232.734,33 em uma estrutura com capacidade hidráulica de projeto de 1.873 litros por segundo.
É nessa etapa que resíduos sólidos, areia, gordura e outros materiais são retirados antes de o esgoto seguir para as demais fases do tratamento.
Em uma cidade que recebe uma população flutuante elevada e continua aumentando sua densidade imobiliária, saneamento não é um detalhe técnico. É infraestrutura necessária para sustentar o crescimento urbano.
Na mobilidade, um dos projetos que mais interessa a quem acompanha a integração entre Balneário Camboriú e Itajaí é o prolongamento da Avenida Martin Luther.
Em janeiro de 2026, a Prefeitura definiu a empresa responsável pelo terceiro trecho, entre a Avenida das Gaivotas, no Ariribá, e a divisa com Itajaí. A execução da obra representa mais de R$ 30 milhões, dos quais R$ 18 milhões são provenientes do Governo do Estado. O Município informou ainda investimentos superiores a R$ 70 milhões em desapropriações necessárias ao projeto.
A importância desse trecho está justamente na conexão regional. Quando concluído, ele deve completar o sistema viário da Martin Luther até Itajaí e ampliar as alternativas de deslocamento na região Norte de Balneário Camboriú, próxima ao eixo da Praia Brava.
Em setembro, porém, o projeto ainda avançava em etapas ambientais preparatórias. Portanto, essa ligação deve ser analisada como infraestrutura em implantação, e não como acesso já concluído.
Na região Sul de Balneário Camboriú, outra intervenção começou a avançar em 2026.
A Emasa iniciou a preparação para o desassoreamento do Rio das Ostras, entre as pontes das ruas Adaci Santos Gomes e Emanuel Rebelo dos Santos. O investimento informado é de R$ 2,44 milhões.
Segundo a Prefeitura, o objetivo é recuperar a capacidade hidráulica do rio, melhorar o escoamento e contribuir para reduzir transbordamentos e alagamentos durante chuvas intensas. Em 21 de setembro, a draga já estava no canteiro e as estruturas necessárias ao início da operação estavam sendo preparadas.
Mais uma vez, é um investimento cuja importância para o território está menos na estética e mais no funcionamento da cidade.

Praia Brava, em Itajaí. Imagem: acervo TONADRI.
Na Praia Brava, a leitura precisa ser diferente.
Em março de 2026, o Município de Itajaí e a Associação dos Proprietários da Praia Brava Norte apresentaram um Masterplan para Praia Brava e Cabeçudas, com investimento previsto de R$ 120,23 milhões.
Desse total, o planejamento apresentado prevê aproximadamente R$ 62,6 milhões de recursos públicos e R$ 57,6 milhões da iniciativa privada.
O plano reúne intervenções importantes para o futuro da região: revitalização das orlas da Praia Brava Norte e Sul, implantação do Parque Natural Municipal do Canto do Morcego, drenagem, abastecimento de água, esgotamento sanitário e novas soluções de mobilidade.
Entre elas está previsto o novo acesso viário denominado Eco Park, ligando a Rodovia Osvaldo Reis à Avenida José Medeiros Vieira. Também está prevista a requalificação da Rua Vereador Hermínio Gervásio, melhorando a conexão entre Cabeçudas e a Praia Brava.
Aqui existe uma distinção fundamental para quem está avaliando um imóvel: os R$ 120,23 milhões não representam R$ 120 milhões em obras executadas na Praia Brava em 2026.
O cronograma oficial estabelece 2026 principalmente como período de elaboração dos projetos executivos e licenciamentos ambientais. As intervenções de maior porte estão planejadas para ocorrer entre 2027 e 2032.
É justamente por isso que acompanhar infraestrutura exige olhar além do anúncio.
A expansão da infraestrutura da Praia Brava ocorre paralelamente às discussões ambientais da região.
Em junho de 2026, Itajaí avançou na elaboração do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Orla e do Parque Municipal do Canto do Morcego, com definição do Conselho Gestor e abertura do processo participativo.
Na prática, isso significa que crescimento urbano, novos acessos e valorização do espaço público precisarão coexistir com regras de conservação de uma das áreas ambientalmente mais sensíveis da região.
Para quem compra na Praia Brava, essa combinação entre infraestrutura, planejamento urbano e preservação ambiental merece atenção especial.
Infraestrutura não deve ser analisada como uma promessa automática de valorização.
O ponto é outro.
Quando você compra um imóvel, também está comprando sua relação com a cidade: acessos, drenagem, saneamento, mobilidade, qualidade dos espaços públicos, relação com a praia e capacidade daquele território de absorver seu próprio crescimento.
Por isso, antes de fechar negócio, vale saber exatamente onde o imóvel está em relação às intervenções anunciadas, quais obras já foram contratadas, quais estão efetivamente em execução e quais ainda dependem de projeto, licenciamento ou recursos futuros.
Em 2026, Balneário Camboriú apresenta um volume importante de obras físicas acontecendo simultaneamente. Na Praia Brava, o grande movimento do ano foi estruturar o próximo ciclo de investimentos da região.
São situações diferentes, mas ambas ajudam a compreender para onde esse eixo entre Balneário Camboriú e Itajaí está caminhando.
E essa leitura também faz parte de uma boa decisão imobiliária.
Se você está avaliando a compra de um imóvel em Balneário Camboriú ou na Praia Brava, converse com a TONADRI. Além das características do imóvel, ajudamos você a compreender a localização, o entorno e o momento de cada região antes de tomar sua decisão.
Fontes consultadas: Prefeitura de Balneário Camboriú, Empresa Municipal de Água e Saneamento de Balneário Camboriú (Emasa), Município de Itajaí e Instituto Itajaí Sustentável, com informações consultadas e atualizadas até 25 de setembro de 2026.
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