
Em 1º de setembro de 2026, o Aeroporto Internacional de Navegantes passou ao controle indireto da ASUR, grupo mexicano que administra o aeroporto de Cancún. A mudança é societária: a concessionária titular do contrato continua sendo a Concessionária do Bloco Sul S.A., e o contrato de concessão segue o mesmo. Até 4 de setembro de 2026, segundo a Economia SC, o novo controlador não havia anunciado plano específico para o terminal. O que muda para Balneário Camboriú e para a Praia Brava é o perfil de quem passa a comandar o terminal que a concessionária descreve como o principal acesso aéreo do litoral norte de Santa Catarina.
Esta é a leitura da TONADRI | Adriana Amorim sobre o assunto: o que está confirmado, o que ainda não está, e o que cada uma dessas coisas significa para quem compra, usa ou investe em imóvel aqui.
A Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR) e a Motiva Infraestrutura de Mobilidade comunicaram, em 1º de setembro de 2026, o fechamento da compra da participação integral da Motiva na Companhia de Participações em Concessões (CPC). Pelo Fato Relevante da Motiva, o preço recebido após os ajustes usuais de fechamento foi de R$ 5,187 bilhões. O comunicado da ASUR arredonda o valor para R$ 5,1 bilhões, equivalentes a US$ 992,2 milhões. O acordo original havia sido assinado em 18 de novembro de 2025 e o fechamento ocorreu depois de cumpridas todas as condições precedentes.
A CPC é a holding que concentrava as participações da Motiva nas concessionárias de aeroportos. Com o negócio, a ASUR somou 20 aeroportos em quatro mercados da América Latina e do Caribe, entre eles o Brasil, descrito no comunicado como o maior mercado de aviação da América Latina em tráfego de passageiros. Navegantes é um desses 20.
Vale precisar o que isso significa em Navegantes. A pessoa jurídica titular do Contrato de Concessão nº 002/ANAC/2021-Sul não foi substituída: continua sendo a Concessionária do Bloco Sul S.A. O que mudou foi quem controla essa concessionária, de forma indireta, por meio da holding comprada. O aeroporto não foi vendido nem privatizado nesta operação, e não trocou de concessionária.
É uma operadora aeroportuária com sede no México, com ações negociadas na bolsa mexicana (BMV) e na Bolsa de Nova York (NYSE). Antes desta compra, operava 16 aeroportos nas Américas, segundo o próprio comunicado: nove no sudeste do México, incluindo o Aeroporto de Cancún, que a empresa descreve como a maior porta de entrada turística do México, do Caribe e da América Latina; seis no norte da Colômbia, entre eles o aeroporto internacional de Medellín (Rionegro), o segundo mais movimentado do país; e 60% da Aerostar Airport Holdings, que opera o Aeroporto Luis Muñoz Marín, em San Juan, Porto Rico.
Com a compra da Motiva, a ASUR chega a 36 aeroportos, somando os 16 que já operava aos 20 adquiridos. O comunicado oficial descreve essa presença por mercados, não por países, e a diferença não é detalhe: Porto Rico, por exemplo, é território dos Estados Unidos.
O que essa lista mostra é experiência em aeroporto de destino turístico de grande porte. É um perfil de operador diferente do que a região tinha até aqui. Vale como histórico da empresa que assumiu, e histórico não garante resultado.
Não. O contrato é o mesmo, com a mesma titular. Navegantes integra o Contrato de Concessão nº 002/ANAC/2021-Sul, assinado em 20 de outubro de 2021 entre a Concessionária do Bloco Sul S.A. e a Agência Nacional de Aviação Civil, com interveniência da Infraero. O contrato reúne nove aeroportos, Curitiba, Foz do Iguaçu, Londrina, Bacacheri, Navegantes, Joinville, Pelotas, Uruguaiana e Bagé, pelo prazo de 30 anos. A operação do terminal pela concessionária começou em março de 2022.
As obrigações contratuais de ampliação, manutenção e exploração da infraestrutura seguem valendo, e seguem sendo da mesma concessionária. Isso importa por um motivo direto: o que já estava contratado continua exigível, independentemente de quem controla a empresa.
Pelo balanço divulgado pela Motiva em janeiro de 2026, o terminal encerrou 2025 com cerca de 2,3 milhões de passageiros e aproximadamente 25,4 mil pousos e decolagens.
No mesmo material, a concessionária descreve o terminal como uma das principais portas de entrada aéreas do Sul do país. E registra um marco de 2025: o primeiro voo cargueiro internacional da história do aeroporto.
Wilson Rocha, gerente do Aeroporto Internacional de Navegantes, resumiu assim o efeito regional, no mesmo material:
“Para a economia, significa mais conectividade, competitividade e capacidade logística, especialmente após o primeiro voo cargueiro internacional da história do aeroporto, um marco que abre novas possibilidades para a indústria, o comércio exterior e o agronegócio catarinense. Já para o turismo, esse crescimento amplia a oferta de voos, atrai novos visitantes e fortalece destinos como Balneário Camboriú, Itajaí, Blumenau, Brusque e todo o entorno.”
Existe um plano de ampliação, e ele é antigo. Foi anunciado em novembro de 2022 pela então CCR Aeroportos: novo terminal de passageiros com 12 mil m², três pontes de embarque, transformação da estrutura atual em um boulevard comercial de 12,5 mil m² e investimento de R$ 300 milhões, com conclusão prevista para 2024. O prazo anunciado passou. O plano segue vinculado ao contrato e passa de mãos com ele.
Aqui vale o limite: o novo controlador não confirmou cronograma, valor nem data de entrega, e ninguém disse publicamente se o projeto de 2022 segue de pé como foi desenhado.
Não há anúncio nesse sentido. Segundo a Economia SC, até 4 de setembro de 2026 a ASUR não havia divulgado nenhum plano específico para Navegantes nem para Joinville, o outro aeroporto catarinense do mesmo pacote.
E há um ponto que precisa ficar claro antes de qualquer expectativa: o operador do aeroporto não decide as rotas.
Nos voos domésticos, o art. 48, § 1º da Lei nº 11.182/2005, na redação em vigor dada pela Lei nº 14.368/2022, assegura às empresas prestadoras de serviços aéreos domésticos “a exploração de quaisquer linhas aéreas, mediante prévio registro na Anac, observadas exclusivamente a capacidade operacional de cada aeroporto e as normas regulamentares de prestação de serviço adequado editadas pela Anac”. Quem escolhe voar para Navegantes, portanto, é a companhia aérea.
Nos voos internacionais há uma camada a mais. Segundo a Anac, os Acordos de Serviços Aéreos são tratados entre Estados que regulam “número de frequências, designação de empresas, quadro de rotas, direitos de tráfego, política tarifária e código compartilhado”.
O que um operador aeroportuário faz é fomentar e negociar o desenvolvimento de rotas: apresentar o mercado às companhias, oferecer condições, preparar capacidade. Isso é influência real sobre a oferta, e não se confunde com decidir a rota. Um grupo que opera aeroportos de destino turístico costuma trabalhar isso como parte do negócio. Se vai se traduzir em voo novo em Navegantes, em que prazo e para onde, ainda não foi dito por ninguém com autoridade para dizer.
Pela rota de carro medida no Google Maps em 11 de setembro de 2026, do Aeroporto Internacional de Navegantes até a Praia Brava, em Itajaí, são 13,3 km pela rota principal, que usa a balsa Navegantes–Itajaí. Sem a balsa, são 17,0 km pelo caminho mais curto ou 38,4 km pela BR-101. Até Balneário Camboriú são 34,5 km pela BR-101. O tempo depende do trânsito, da temporada e, na rota curta, da fila da balsa.
É essa a distância real que entra na conta de quem mora fora e usa o imóvel em finais de semana e feriados, e de quem recebe família e visitas ao longo do ano.
Muda o alcance prático do imóvel, não o preço dele.
Boa parte dos compradores atendidos pela TONADRI mora longe daqui: Rio Grande do Sul, interior do Paraná e de Santa Catarina, Centro-Oeste. Para essa família, o aeroporto não é um detalhe de infraestrutura da cidade. É o que separa um apartamento usado poucas vezes no ano de um apartamento usado com frequência. Conectividade se traduz em facilidade de ir e voltar, e essa facilidade é o que costuma definir se o imóvel de praia vira segunda casa de fato.
O mesmo vale para quem já mora aqui e recebe. Filhos adultos em outra cidade, netos, sócios: mais rota e mais frequência facilitam a agenda de quem vem visitar.
E vale para a decisão de comprar à distância. A TONADRI conduziu 100% à distância uma operação de R$ 38 milhões, um triplex e três apartamentos tipo no mesmo empreendimento. É um caso, não um padrão, e serve para mostrar que a compra remota é viável quando a casa conduz o processo e a documentação do começo ao fim.
Uma ressalva que a casa faz questão de deixar clara: nas fontes consultadas para este artigo não localizamos nenhum dado público que ligue a troca de operador do aeroporto a valorização de imóvel em Balneário Camboriú ou na Praia Brava. Quem afirmar essa ligação está afirmando além do que a informação sustenta. O que existe é uma variável de acesso que melhorou nos últimos anos e um operador novo com histórico em conectividade. É assim que a informação deve entrar em uma decisão de compra: como um fator entre outros, não como promessa.
O mercado da região, e ele tem números próprios. Pelo informe FipeZAP de agosto de 2026, Balneário Camboriú aparece em terceiro lugar no ranking de preço médio do metro quadrado, a R$ 15.343, atrás de Vitória (R$ 15.650) e de Itapema (R$ 15.403). A alta de 12 meses em Balneário Camboriú foi de 2,82%. A Praia Brava, por ser bairro de Itajaí, não tem série de preço própria e não deve ser comparada com a média do município.
Aeroporto entra nessa conta como acesso. Preço se decide por endereço, produto, incorporadora, estágio da obra e liquidez. É esse o trabalho de curadoria: separar o que é fator real de decisão do que é notícia interessante.
Não nesta operação. O terminal já era operado por concessionária privada desde março de 2022, sob o Contrato de Concessão nº 002/ANAC/2021-Sul, assinado em 20 de outubro de 2021, com prazo de 30 anos. O que aconteceu em 1º de setembro de 2026 foi a venda da holding que controla essa concessionária. A titular do contrato continua sendo a Concessionária do Bloco Sul S.A.
Sim. A operação envolveu 20 aeroportos em quatro mercados da América Latina e do Caribe. Em Santa Catarina, além de Navegantes, o pacote inclui o Aeroporto de Joinville, que também integra o Bloco Sul.
R$ 5,187 bilhões pela participação integral da Motiva na CPC, já com os ajustes usuais de fechamento, conforme o Fato Relevante da Motiva de 1º de setembro de 2026. O comunicado da ASUR, da mesma data, arredonda o valor para R$ 5,1 bilhões, equivalentes a US$ 992,2 milhões.
Se você procura um imóvel em Balneário Camboriú ou na Praia Brava para usar, investir ou morar, conte à TONADRI o que você busca. Ela filtra o mercado, mostra o que faz sentido para o seu objetivo e ajuda em todo o processo de documentação da venda, tanto para quem compra quanto para quem vende.
TONADRI | Adriana Amorim · CRECI J 4440
Comunicado da ASUR sobre o fechamento da aquisição e Fato Relevante da Motiva Infraestrutura de Mobilidade, ambos de 1º de setembro de 2026 · Comunicado ao Mercado da CCR sobre o Contrato de Concessão nº 002/ANAC/2021-Sul, 20 de outubro de 2021 · balanço de 2025 do Aeroporto Internacional de Navegantes divulgado pela Motiva, janeiro de 2026 · Economia SC, 4 de setembro de 2026 · Lei nº 11.182/2005, art. 48, § 1º, na redação da Lei nº 14.368/2022, texto compilado no Planalto · Anac, página Acordos de Serviços Aéreos · informe FipeZAP de agosto de 2026 · ANAC, página do Bloco Sul · release da CCR Aeroportos sobre a ampliação do Aeroporto de Navegantes, novembro de 2022 · Google Maps, consulta em 11 de setembro de 2026.
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